Quando os anos de cursinho poderiam ser uma faculdade…

Quando a gente faz muitos anos de cursinho, é muito comum ouvir piadinhas do tipo “Vai se formar no cursinho??” “se tivesse entrado em medicina, já seria quase médico..”. A situação por si só já é bastante desagradável, mas existem pessoas que parece que fazem mestrado em falta de noção e deixam tudo isso ainda pior… Ninguém gosta de ficar anos no cursinho com a sensação de empacamento da vida, não é mesmo? Eu sei disso na pele… foram 4 anos de cursinho antes de entrar na faculdade de psicologia e depois um ano quando decidi voltar a tentar med. 5 anos no total, haja paciência, né não?

Pois bem, esses dias li um texto MUITO bacana do irmão de uma amiga querida que tá indo pro 5o ano de cursinho. A energia dele é tão, mas tão boa, que eu quis compartilhar com vocês pra mostrar que dá pra fazer essa fase da vida ser um  pouco mais leve quando temos um objetivo e um sonho determinado. Olha só!

 

“Hoje, dia 20, as aulas no cursinho começam.
Esse ano não tem aquela empolgação do primeiro ano de cursinho – aquele momento que você acha que conseguirá entrar na USP com um ano de cursinho. Também não tem a frustração do segundo ano ao ver que é mais difícil do que você imaginava. Não tem, ainda, aquele sentimento do terceiro de que você vai precisar de 15 anos de cursinho . Ha o cansaço do quarto ano e aquela sensação de que está perto. Enfim, esse não é meu primeiro ou terceiro ano de cursinho, é o meu quinto! Hoje eu paro pra pensar que já poderia ter concluído uma graduação, que tenho amigos se formando, no que poderia ter sido mas não foi e, após tanta reflexão, chego à conclusão que eu estou onde eu deveria estar, afinal as coisas não acontecem exatamente na nossa hora.

Após tantos anos sei que estou num grupo seleto: o daqueles que não desistiram e que, por isso, vão passar – um dia vão, é só não desistir. E isso me dá um pouco da empolgação do primeiro ano, pois sei que estou em minha melhor forma e mais perto de passar do que no segundo ano, quando eu estava frustrado por tudo ter dando errado quando ela TINHA – “sonho meu”- que ter dado certo. Tenho meus motivos pra continuar, mas entendo perfeitamente aqueles que não continuaram, afinal é um saco rever as matérias que a gente não gosta, seguir uma rotina de estudos exaustivas por mais um ano, ver sua família abdicando de momentos com você em prol de seu sonho. Mas tem suas coisas boas, como por exemplo falar pro colega de sala que é seu décimo ano de cursinho, quando ele fizer a cara de susto você desmente, fala que fez 5 anos e vê que a expressão dele melhora um pouco, afinal podia ser pior. Além disso, você já vai pros vestibulares com todas as regras na cabeça, enquanto sua fiscal fica numa saia justa com as perguntas dos vestibulando de primeira viagem ( pode usar lápis? E borracha? E régua, pode? Eu não trouxe caneta preta, o que eu faço?) enquanto você está na sua plena experiência de 7 ENENs, já pediu música no fantástico duas vezes e tá lá, firme e forte. E quando você entra num consultório médico e logo pensa ressabiado: ” o que você tem de faculdade eu tenho de cursinho! 😤”
O quinto ano é aquele momento em que você começa a pensar que deveria haver cota de persistência, pois não é fácil! Rs
Enfim, hoje meu quinto ano começa, pode ser o último, pode ser um dos últimos, pode ser, pode ser. O pode ser fica pro sobrenatural, vou fazer a minha parte e que aconteça o que for melhor! De qualquer forma, eu sempre soube que medicina era um projeto que exigiria tempo e dedicação. Força a todos que estão, como eu, persistindo e também pra aqueles que estão começando. A persistência é o sucesso de tudo, afinal, como dizia Drummond: ” eu só tenho duas mãos e o sentimento do mundo”.”

Eron del negri

5 comments

  1. Muito bom esse texto! Força Eron e, quando for a hora, vai dar certo! Espero que logo! 🙂

  2. Força, moço! Aqui vou eu tb, pro meu quinto ano.
    Obrigada Thaís por compartilhar esse texto, faz esse processo ser menos solitário 🙂

    Beijos!

  3. Tenho o privilégio de ser amigo do Eron, nos piores momentos que tive ano passado, após passada a derrota do vestibular desse ano, depois de muitos problemas pessoais que tive (algo que não aconteceu em nenhum outro ano), ele sempre me apoiou, sempre se preocupou em dar uma palavra e um incentivo. Sério, torço muito pra que ele consiga o mais rápido possível, porque a Medicina precisa dele. Estamos num barco seleto, de guerreiros que não desistiram e estão só concluindo as batalhas remanescentes pra conquistar a vitória. Essa é uma guerra estratégica, que eu pensava que seria concluída com facilidade no meu primeiro ano… Esse ânimo do primeiro ano é engraçado, aos poucos vamos dissipando esse ânimo, mas quem consegue sustentar o máximo desse estrado da alegria de viver, certamente será um grande profissional, que já tem a vitória por ter resistido, mas que levará alegria e aprendizado, sem lamentar o tempo investido, vivendo cada dia como o último numa profissão tão linda. Agradeço a Deus por ter conhecido pessoas tão maravilhosas!! Espero te ver na Universidade, Eron! Se não for na mesma, que seja no INTERMED!!! USP x UNESP heim… kkkkkkk Abraços, adorei esse texto!! Te imaginei falando cada palavra kkkkk.

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